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A cultura engloba as crenças, a linguagem, as cerimônias, os costumes, a arte, a conduta, o folclore, a culinária, a moda, os gestos e a forma de vida de um grupo de pessoas em um determinado período. A localização geográfica, a economia, o meio ambiente e tudo que cerca uma determinada população influência o seu jeito de viver. Analisando o caso específico da região de Corumbá iremos voltar ao passado recente de quando a cidade vivia sob a influência dos países da Prata, dos quais herdou grande parte do seu costume e hábitos, isso ocorreu facilmente por causa da sua localização fronteiriça e do isolamento físico que sofria na época.

Até 1914 para se chegar a qualquer parte do Brasil o corumbaense não tinha outra opção a não ser passar antes pelas capitais do Prata, quer fosse Assunção, Buenos Aires ou Montevidéu. Isso logicamente acarretou a absorção de tendências, costumes e linguagem desses povos. A convivência com os países vizinhos de língua espanhola era acentuado devido a relação comercial através do transporte fluvial entre eles. Corumbá mantinha com Buenos Aires e Montevidéu um elevado comercio de compras e idéias, o que criou na cidade hábitos e costumes baseados no folclore portenho. Nessa época era comum que empresários bem sucedidos passassem por Montevidéu utilizando o rio Paraguai e depois chegassem a Porto Alegre ou Rio de Janeiro para assistir a grandes peças teatrais. Eles viajavam no luxuoso "Fernando Vieira", um navio que possuía 100 camarotes de primeira classe e que também trazia as principais companhias teatrais do Rio de Janeiro e das cidades do Prata para se apresentarem no "Bijou-Theatro", a maior casa de espetáculo que Corumbá já teve. A busca do entretenimento era uma forma de suportar o isolamento da região.

Devido ao isolamento por causas naturais e tendo no rio Paraguai o único meio de comunicação é aceitável que se sofresse a influência desses países vizinhos. Essa influência se fez sentir na música, na linguagem e nos costumes em geral. Quanto a música até hoje podemos ouvir os sons românticos da "guarania", dos "rasqueados" e da "polca" paraguaia e houve época houve em que o "tango" era a dança preferida nos clubes sociais.

Os vaqueiros e donos de fazendas incorporaram o uso da "bombacha", da "guaiaca" e de outros utensílios que ainda hoje são usadas pelo homem pantaneiro. Na linguagem o "muito obrigado" era substituído pelo "gracias" dos argentinos e uruguaios. Por influência castelhana durante muito tempo tivemos na administração da cidade um "intendente" no lugar do "prefeito". Da mesma fonte vieram palavras como "chalana", "buenas" em lugar de "boa tarde", "bolita" em vez de "bolinha de gude", "pandorga" em lugar de "papagaio", "bolicho" e "venda" em lugar de "armarinho" e "boteco". O jogo de carta preferido pelo corumbaense do passado era, principalmente nas fazendas o "truco espanhol".

Em 1913 uma eminente figura das forças armadas em visita a região disse ao chegar em Corumbá que: " no hotel, no bar, nas casas de comercio, por toda parte, ouve-se falar todas as línguas nessa longínqua e pequena Babel e não serei exagerado se disser que o português não é o idioma que mais se fala". Apesar de ser um pouco exagerado é um depoimento que retratava a influência estrangeira naquela época no local.

O hábito do "chimarrão", a "chipa", o "puchero"(cozido brasileiro), de fumar o "guarani"(desaparecido) ou de fazer a sesta adquirimos desse convívio internacional.