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A Flora Pantaneira
A grande extensão territorial e diversidade climática do Brasil explicam a riqueza vegetal que o país possui. As espécies vegetais nativas e exóticas conhecidas representam apenas uma amostra das que provavelmente existem (acredita-se que conhecemos apenas 60 a 80%). Grande parte da cobertura vegetal primitiva já foi e continua sendo devastada, criando riscos de acidentes e desequilíbrios ecológicos. A flora brasileira está espalhada por diversos habitats, desde florestas de terra firme até os campos com sua vegetação de pequenas plantas e musgos. A maior parte da flora brasileira se encontra na Mata Atlântica e na floresta amazônica, embora o Pantanal mato-grossense também apresente grande variedade vegetal. Além das plantas nativas, a flora brasileira recebeu exemplares de outras regiões tropicais trazidas pelos portugueses durante o período colonial. Várias dessas espécies restringiram-se as áreas agrícolas como o arroz, a cana-de-açúcar, a banana e as frutas cítricas. Outras se adaptaram bem e se espalharam pelas florestas a tal ponto que são confundidas com espécies nativas. As plantas medicinais são amplamente usadas pela população, embora pouco se conheça cientificamente sobre seu uso. A população indígena também utilizou e ainda utiliza a flora brasileira, porém tal conhecimento tem se perdido com sua aculturação. É possível que muitas espécies de plantas brasileiras tenham uso terapêutico ainda desconhecido. Esse conhecimento entretanto está ameaçado pelo desmatamento e pela expansão das terras agropecuárias. O Pantanal tem uma flora muito rica que é formada por plantas vindas do Cerrado, da Amazônia (camalote e Vitória régia), do Chaco e dos campos sul americanos, raras são as exclusivas da região. A vegetação é variada principalmente por causa da inundação e do solo. Durante a seca que coincide com o inverno, os campos se tornam amarelados. A vegetação do Pantanal não é homogênea e a flora pode se diferenciar de acordo com a altitude. Nas baías, que são lagoas temporária ou permanentes, encontramos plantas aquáticas submersas ou flutuantes. Nas águas permanentes são comuns os camalotes e o baceiro ou batume, que é uma vegetação flutuante formada pôr ciperáceas e outras plantas aquáticas. Essas plantas são importantes para a sobrevivência da fauna aquática. Nas cordilheiras, onde as terras não são inundadas, tem a vegetação de cerrado, cerradão ou mata. Nos campos, áreas inundáveis que às vezes são confundidos como resultado do desmatamento, predominam as gramíneas. O Capão é uma mancha de vegetação arbórea, de cerrado, cerradão ou mata que forma ilhas nos campos. No Carandazal, área também inundável, tem o Carandá, uma palmeira do Chaco com folhas em forma de leque, parente da carnaúba do Nordeste e cuja madeira é utilizada para cercas e construções. Nas salinas, lagoas de água salobra, encontramos grande quantidade de algas que dão cor verde a água. O vazante, que é um rio temporário, quando está no período de seca fica coberto de gramíneas, formando áreas de pastagem natural para o gado. O cerrado tem duas estações bem marcadas, a seca e a chuvosa. O solo é predominantemente arenoso e cobre a maior parte do Pantanal. O aproveitamento dessa região até bem pouco tempo era pequeno, mas hoje isso mudou com o aumento do cultivo de grãos, principalmente da soja no centro-oeste. O estado geral da conservação da vegetação segundo estudos da Embrapa ainda é bom, com metade em estado natural. Mas existem áreas críticas que já necessitam de conservação ou recuperação como as pastagens cultivadas em terras declivosas, as matas ciliares de córregos e áreas mineradas. Um quarto da terra da região são pastagens cultivadas usadas na pecuária. A agricultura é praticada exclusivamente nos assentamentos com a produção de feijão, arroz, milho, mandioca, frutas e hortaliças. O solo utilizado muitas vezes não é ideal para lavoura, embora quimicamente fértil, porque é raso ou de argila que endurece com a aração. |
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