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>>Relevo e Arqueologia
O território brasileiro de um modo geral é constituído de estruturas geológicas antigas, mas também apresenta bacias de sedimentação recente como as do pantanal mato-grossense (cenozóico- 70 milhões de anos). As estruturas e formações rochosas são antigas, mas as formas de relevo decorrentes do desgaste erosivo são recentes. Grande parte das rochas e estruturas do relevo brasileiro são anteriores à atual configuração do continente sul americano, que passou a ter esse formato depois do levantamento da Cordilheira dos Andes a partir do Mesozóico. Podemos dividir em três o relevo brasileiro: os planaltos, as depressões e as planícies. As planícies que são áreas predominantemente planas decorrentes da decomposição de sedimentos recentes de origem fluvial, marinha ou lacustre, compõem o relevo do pantanal mato-grossense. A altitude na planície do Pantanal varia entre 100 e 200 metros. As partes mais altas que não são inundadas são chamadas de Cordilheiras ( elevações arenosas, estreitas e alongadas, cobertas de vegetação do cerrado), as partes mais baixas que ficam alagadas recebem o nome de Baías (lagoas temporárias ou permanentes de dimensões e formas variadas). No seu relevo se destacam morros isolados como o Maciço do Urucum perto de Corumbá. A formação Santa Cruz é responsável pelo relevo mais alto da região, dela fazem parte as morrarias do Urucum, da Tromba do Macaco, do Jacadigo, de Santa Cruz, de São Domingos, do Grande e do Rabichão. A região possui mármore sob as rochas da Formação Bocaina, várias pedreiras de exploração de calcário e brita para construção e depósitos de ferro e manganês. O minério de manganês, explorado no morro do Urucum, é escavado através de túneis seguindo o método de salões e pilares e retirados por intermédio de vagonetes. O minério de ferro é lavrado a céu aberto nas encostas do morro com auxílio de pá carregadeira e colocado direto em caminhões. Em 1990 descobriu-se que o Pantanal é também um verdadeiro paraíso arqueológico, estudos iniciados pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul revelam a presença humana na região a partir de 6.000 anos antes de Cristo, essa população era constituída de diferentes grupos indígenas. Na planície de inundação foram identificados 153 sítios arqueológicos, localizados entre os capões de mata e as cordilheiras. O material encontrado fornece dados importantes da pré-história do interior da América do Sul e sobretudo para entendermos a história da ocupação humana no Pantanal. Estudos feitos a partir de 1995 mostram que a região do Maciço do Urucum foi ocupada por populações indígenas ceramistas de origem tupi-guarani, com a análise do material cerâmico foi possível descobrir que havia uma homogeneidade na produção de vasilhas cerâmicas no que diz respeito a decoração. Embora não tenham sido datadas é possível que este grupo tenha se estabelecido na região antes da chegada dos europeus, essa conclusão é justificada pelo relato dos colonizadores do século XVI, que indicam a presença de índios tupi-guaranis nas morrarias do pantanal. A análise do material cerâmico mostra que pertenceram a um período anterior à colonização das Américas e que se estabeleceram na região de modo estável. O maciço do Urucum é bom para a agricultura, tem uma regularidade pluviométrica maior, temperaturas mais amenas e uma diversidade de fauna e flora que permite a caça e coleta permanente. Com condições favoráveis essa região proporcionou a instalação de pequenas aldeias indígenas ceramistas tupi-guaranis que cultivavam a terra e reproduziram na área seu padrão de assentamento e exploração de recursos, mantendo o domínio sobre o maciço do Urucum no período pré-colonial. Nos sítio até agora estudados o conjunto é semelhante, a mesma técnica de produção e a mesma simbologia, o que leva a pensar que tenham sido produzidos por uma mesma cultura. |
![]() Extração de manganês |
![]() Sítio Arqueológico |
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![]() Minério de Ferro |
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Morro |
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